Maio 18, 2012

O conto do amor - Contardo Calligaris

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“Fazia doze anos que meu pai estava morto, e eu sentia sua falta. Não era nenhuma novidade: tínhamos passado décadas sentindo a falta um do outro.”
Depois de “ser estorvada” pelo livro do Chico Buarque, me aventureiLink nesse romance do Calligaris. Nem sabia que ele escrevia, na verdade não sabia muito sobre ele, só tinha visto uns trechos de entrevista. Esse foi um dos livros que comprei na loucura que mostrei aqui.
Eu terminei de ler muito rápido - para os meus padrões de leitura no transporte público -, é uma narrativa bem gostosa e fui ficando envolvida, querendo mais e mais saber o que ia acontecer.
Basicamente, é a história de Carlo Antonini, um italiano que mora em Nova York. Em sua última conversa com seu pai - um apaixonado pela arte da Renascença -, este lhe confidencia que, apesar de não acreditar em reencarnação, na primeira vez que viu os afrescos que contam a história de São Bento, ele teve certeza que conhecia aquelas pinturas, soube que tinha sido um dos ajudantes do pintor Sodoma.
Doze anos depois dessa conversa, Carlo decide ir à Itália, percorrer abadias e outros lugares que seu pai conheceu na juventude e começa a tentar remontar sua história e entender o que seu pai queria que ele soubesse nesse último momento em que estiveram juntos. Haveria uma mensagem cifrada em suas palavras? Algum segredo escondido no fato de ele ter escolhido um pintor apelidado de Sodoma? Algum mistério poderia ser revelado através das pinturas? É isso o que Carlo irá perseguir nas cidades italianas, bibliotecas e nas leituras dos diários e cartas de seu falecido pai. Com a ajuda de Nicoletta, pesquisadora que ele conhece numa biblioteca de história da arte, ele irá tentar reconstruir o passado e compreender as razões de seu pai ter sido tão aficionado pela arte do século XVI.
Eu gostei do livro. Ele tem elementos de investigação, mistérios, questões psicanalíticas polêmicas e uma história envolvente. Fora que a história mesmo se desenrola na Itália, então tem todo aquele clima de arte, os restaurantes e afins que eu adoro e sonho conhecer um dia.
Achei bem diferente e, apesar de alguns pontos que me desapontaram na narrativa, foi uma boa leitura, uma boa surpresa.
Maio 16, 2012

Estorvo - Chico Buarque

“Depois de certa idade, acho que o acervo de sonhos se esgota, e eles começam a a reprisar. Mas como nada é totalmente péssimo, a memória de um velho também enfraquece, e ele já não tem certeza se sonhou aquele sonho ou não”
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Observação inicial: Eu juro que vou tentar fazer esse post apenas do ponto de vista de leitora, não de fã louca do Chico Buarque que acha que esse homem é tão perfeito que
Bom, vamos lá.
“Hoje é como se o jardim estivesse aprendendo arquitetura”
Imagine que você esteja na sua casa, dormindo, a campainha toca , você vai olhar pelo olho mágico, mas, sonolento, não tem certeza se conhece a pessoa que está do outro lado. Não atende. O homem continua tocando, insistente. Você não certeza se está realmente acordado ou se ele faz parte do seu sonho. Ao olhar pelo olho mágico você tem a sensação de também ser observado. Do outro lado, o homem usa terno e gravata, as pessoas que fazem parte da sua vida e se vestem dessa maneira geralmente estão em guichês, não vêm na sua casa. A campainha para. Você olha pela janela do apartamento. O homem se afasta sem olhar para trás e isso te traz uma certeza: você está sendo seguido.
É mais ou menos assim que o livro começa. Nessa espécie de fuga de um desconhecido o narrador vai percorrer diversos espaços: a casa da sua irmã, de sua mãe, da ex-mulher, um sítio da família.
“Não adianta ficar aqui parado. Eu não posso me esconder eternamente de um homem que não sei quem é.”
Em alguns momentos o livro parece confuso, na realidade é a mescla do sonho com a realidade com a imaginação, além das lembranças da infância, que criam esse estranhamento. Acho que no fim não dá para saber direito o que foi que realmente aconteceu, mas é bem interessante. Numa futura releitura, pretendo analisar melhor a questão dos espaços e das personagens, acho que tem muitas relações que são possíveis de se fazer, semelhanças e pistas narrativas que são deixadas através dos lugares por onde ele passa e das constantes repetições e variações construídas. Talvez seja tudo fruto da imaginação do narrador, talvez seja um sonho, talvez não dê para saber.
Para mim, a princípio, é uma fuga do desconhecido e do mais que conhecido; fuga dos outros e de si mesmo.
É um livro que causa certo desconforto, mas isso é gostoso. É uma leitura que nos tira daquela zona de conforto e vai nos conduzindo por seus estranhos caminhos. É tirar o fôlego às vezes.
Quatro anos e meio vivi com essa mulher. Mas vivi de me trancar com ela, de café na cama, de telefone fora do gancho, de não dar as caras na rua (…)
Um dia ela propôs a separação. Eu entendi e disse que ia continuar pensando nela do mesmo jeito”

No fim, até que eu consegui escrever sobre a obra me desprendendo do fato de que o autor é o Chico Buarque e, ah, Chico como você pode ser assim tão
Maio 15, 2012

80 e poucos livros depois…

Imagine poder entrar numa livraria e adquirir obras de Machado, Guimarães Rosa, Saramago, Márquez, Proust etc., por 4, 5 reais. Pois foi exatamente isso que me aconteceu nas duas últimas semanas. Meu chefe fechou um espaço onde, entre outras coisas, funcionava uma livraria e disponibilizou para os funcionários os livros com 85% de desconto na primeira semana, 90%, na segunda.
Eu confesso que perdi a compostura e até hoje as meninas que trabalham comigo se divertem lembrando do meu desespero agarrando livros, tirando eles aos blocos das prateleiras, fazendo pilhas e andando pra lá e pra cá falando “meu, meu, meu, esse é meu também”. Fazer o que né?! Acontece…
O resultado da primeira semana mostrei empilhado aqui. Hoje vou mostrar um pouco mais do que comprei. Ao todo foram 87 novos livros. Não vou conseguir mostrar tudo, porque acabei separando alguns deles nas estantes, mas grande parte. Na verdade, eu não tenho mais espaço na minha estante para guardar tudo, mas isso é só um detalhe, vou ver o que faço com as xerox e cadernos da minha cômoda para arrumar os que ainda estão em sacolas… sou daquelas que quer ter os livros sempre por perto e no mesmo lugar; no meu quarto, no caso.
Indo pro que interessa:
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Crônicas do Bandeira e Contos do Machado
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Saramago e Lobo Antunes
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Proust e Clarice
(Dela também comprei Perto do coração selvagem)
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Bojunga e Chico
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Márquez, Borges e Orwell / Foucault e Benjamin
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Rosa - Só tinha o volume 1 =/
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O menorzinho, único que tinha do Velho Braga; não podia faltar.
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Coleção das Brumas de Avalon e Proseando com Woody
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Pra não dizer que não rolou de tudo. É, pagando pouco que mal tem?!
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Títulos possíveis: Viva as diferenças/ Socializando nas estantes.
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Guias para sonhos
Ufa, mostrei a maioria. Mas deixa eu falar: é muito amor pra pouca estante, viu.
Adianto que já li dois, serão os próximos posts sobre livros que aparecerão por aqui.
Beijos e até mais =*
Maio 14, 2012

Levo a vida devagar pra não faltar amor…

Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas não ter o seu lugar

DSC02968Sexta-feira foi o dia. Quando o Los Hermanos entrou em recesso, pensei que nunca mais eles iriam voltar e que eu não eu teria a oportunidade de vê-los tocando. Ainda bem que me enganei, e nesse estranho 2012 de coisas inesperadas pude vera melhor banda nacional ainda em atividade.

DSC02962O show foi lindo, eles são lindos, o lugar – Espaço das Américas –, que eu não conhecia, tem uma estrutura muito boa e acho que pelo fato de não ter venda de bebida alcóolica no dia, foi até mais tranquilo. A única pessoa que esbarrou em mim pediu desculpas. Sim, DESCULPAS, palavra ameaçada de extinção nas grandes cidades…

Eles tocaram as músicas que eu mais amo, tipo, amo todas, mas fiquei muito emocionada por ouvir Último Romance, Conversa de botas batidas e Sentimental. Também gostei que eles tocaram várias do primeiro CD – até Anna Júlia!

Bom, a maioria das minhas fotos ficaram um pouco surrealistas, porque minha câmera digital já tá pedido aposentadoria por tempo de serviço, mas as melhorzinhas vou colocar aqui, para ilustrar o post:

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♪ Você me falou pra eu não me preocupar

Ter fé e ver coragem no amor ♫

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♫ A gente só queria o amor

Deus parece às vezes se esquecer

Ai, não fala isso, por favor ♪

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♪ E eu que nunca amei a ninguém

Pude então, enfim amar… ♫

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E não pensa que eu fui por não te amar

Maio 13, 2012

Por toda a minha vida…

Duas coisas que eu tenho certeza na vida: a saudade que tenho da minha mãe nunca vai parar de crescer e “por quê?” será a pergunta que vou continuar me fazendo todos os dias; nunca vou conseguir assimilar.

O fato é que a minha mãe para mim representa força. Uma pessoa muito forte que sei que não me criou para ser diferente. E é por isso que eu tive que continuar mesmo sem ela, mesmo quando achei que morreria; juntei todos meus pedacinhos e tive que levantar. E eu vivo, eu luto todos os dias para mostrar para minha mãezinha que eu aprendi direito, que, apesar da minha cabeça dura, valeu a pena o esforço,  que ela pode ficar tranquila e que eu vou fazer o possível para ser forte igual a ela. É difícil, muito, todos os dias, mas é a minha forma de manter esse amor vivo. A minha forma de todos os dias dizer “eu te amo, mãe” é tentar dar o meu melhor em tudo; é tentar dar orgulho para a pessoa que eu mais amo nessa vida.

Mamis

“é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê…”

E lembrar de dias bem mais felizes.