Orgulho e preconceito - Jane Austen
“(…) cada dia vejo confirmada a minha crença na inconsistência de todos os caracteres humanos e na pouca confiança que se pode depositar nas aparências do mérito ou do bom senso.”
Estamos em maio e eu orgulhosamente venho postar a minha continuidade no Desafio Literário! Firme e forte, o engraçado foi que eu achei que esse mês eu não conseguiria cumprir a meta, pois demorei para decidir o livro que ia ler e depois que escolhi fiquei achando que, por ser um livro extenso e eu estar lendo outras coisas, não daria tempo. Mas olha que eu terminei a leitura dia 11, li tudo em três dias e já estou animada para o tema seguinte! Fazer esse desafio tem sido muito divertido!
O meu escolhido para o tema “livros citados em filmes” foi Orgulho e preconceito, da Jane Austen. A referência aparece no filme Mensagem pra você (You’ve got mail):
Acho que todo mundo conhece mais ou menos a história do livro, eu mesma já tinha visto o filme há muito tempo, mas, mesmo assim, aproveitei muito a leitura. É engraçado que desde o começo a gente sabe que é uma história de amor e que vai acabar bem, mas a leitura flui muito bem e é um daqueles livros que não importa saber o que vai acontecer você quer saber como vai acontecer.
“Em vão tenho lutado comigo mesmo; nada consegui. Meus sentimentos não podem ser reprimidos e preciso que me permita dizer-lhe que eu a admiro e amo ardentemente.”
Uma das mais famosas e reproduzidas frases de Mr. Darcy.
Acho que o Mr. Darcy é dos personagens mais amados da literatura e eu acho totalmente compreensível o fato de ver tanta gente por aí se perguntando onde está seu Darcy! Ele é realmente encantador e, considerando meus critérios pessoais na leitura, pra competir com o seu encanto só a ironia do pai de Elisabeth, Mr. Bennet é o cara! Aliás, a ironia foi provavelmente o que eu mais gostei no livro, o romantismo e a doçura das personagens às vezes foi um pouco demais pra mim, ainda bem que há espaço para umas boas risadas! Ressalto também que achei a construção das personagens e da sociedade bem interessante, os temas centrais, obviamente ligados ao título, são bem explorados e não dá pra não ficar feliz com o fato de as personagens femininas serem o grande foco do livro.
Meu primeiro Jane Austen e com certeza não será o último!
* Além do filme de 2005, com a Keira Knightley interpretando a Elisabeth, há também uma minissérie de 1995 com o Colin Firth no papel de Mr. Darcy. Apesar de ainda não ter assistido à série, pra mim, o Firth é a encarnação perfeita do Darcy <3, aliás, ele também chama Darcy no Diário de Bridget Jones, acredito, inclusive, que o livro/filme aproveita a influência de Orgulho e preconceito e deixa isso claro na escolha do nome do protagonista.
Por que [não] ter um leitor digital?
Há quem torça o nariz quando o assunto é livro digital e há quem diga que os dias dos livros de papel estão contados. Bom, eu vou morrer, você vai morrer, mas os livros, em todas as formas possíveis, permanecerão. Amém.
Eu amo livros – oh, novidade – tenho muitos e continuo comprando no mesmo ritmo de sempre, mas também me rendi à praticidade do leitor digital e adquiri um Kobo Touch. No Brasil, o kobo é comercializado pela Livraria Cultura, como comprei o meu aqui na França, o meu é o kobo da Fnac, que comercializa o aparelho aqui na Europa. O preço? 79 euros, o que eu achei bem justo porque estou satisfeitíssima com meu aparelho.
Tendo por base a minha experiência pessoal com o kobo, vou listar os prós e contras sobre o leitor.
Prós
- Praticidade: sabe quando você precisa viajar e tem que escolher um livro? Com o kobo você pode viajar com uma biblioteca inteira;
- Praticidade 2: o kobo é muito leve e super fácil de levar pra qualquer lugar;
- A leitura no kobo é mais agradável do que no computador e do que nos tablets comuns, o kobo não cansa a vista, você pode tranquilamente segurá-lo com apenas uma mão e ele tem a tela antirreflexo;
- O kobo é uma excelente ferramenta para ler em língua estrangeira, ele contém dicionários e com apenas um toque sobre a palavra você pode ler seu significado ou sua tradução;
- Você tem a opção de marcar uma página ou sublinhar suas citações preferidas;
- O kobo aceita arquivos em PDF e epub;
- O kobo registra seu ritmo de leitura e a porcentagem do que você já leu, eu adoro isso.
Contras
- Não dá pra cheirar os livros do kobo (sim, eu cheiro livros, me julguem);
- Também não dá pra colocar os livros na estante e nem tem aquela emoção de virar a página;
- O kobo é um aparelho eletrônico, sendo assim, ele pode travar, fazer o louco e apagar tudo o que você marcou (me aconteceu uma vez).
Na verdade, tirando as questões relacionadas ao meu amor pelos livros físicos, eu não encontro grandes desvantagens em ler no kobo, gosto muito do meu e, apesar de não abrir mão de comprar livros de papel, não fico mais sem o meu kobinho.
O meu é azulzinho e, como disse anteriormente, é o kobo touch, então não tem a opção de iluminação para ler a noite, pela diferença de preço na época eu preferi manter as luzes da casa ligadas para a leitura noturna!
Alguém mais já se rendeu aos leitores digitais? Gostaria muito de saber o que vocês pensam a respeito. Ah, caso alguém tenha experiência com aparelhos de outras marcas, comparações etc., também gostaria de saber o que acharam ;)
Sonho de uma noite de verão - WilliamShakespeare
Uma salva de palmas pra pessoa que pensou em ler Shakespeare no original… Claro que não deu certo!
Bom, vamos lá para o tema do DL para o mês de abril: livros que tenham uma ou mais estações do ano no título. Eu comentei que tinha escolhido Sonho de uma noite de verão, do Shakespeare, porque me lembro de um programa que eu assistia na TV que tinha uma adaptação bem bonitinha desse livro.
Ler teatro não é uma coisa muito fácil, principalmente quando são peças antigas, tem toda a questão da rima, da estrutura – que deve ser um trabalhão pro tradutor – mas, no geral, eu gosto.
Basicamente, a história começa com os preparativos do casamento de Teseu com Hipólita, que é interrompido por Egeu, pai de Hérmia, que quer que sua filha se case com Demétrio, o problema é que Hérmia é apaixonada por Lisando. Tanto Demétrio quanto Lisandro amam Hérmia, mas há também Helena, que é apaixonada por Demétrio, porém ninguém é apaixonado por ela. Ufa, se você conseguiu acompanhar o rolo até aqui, parabéns, eu precisei ficar voltando algumas partes pois eu costumo ter problemas com nomes!
Dois outros núcleos da história são constituídos por Oberon e sua esposa Titânia – respectivamente o rei dos elfos e a rainha das fadas –, Puck – elfo que acompanha Oberon –, algumas fadas e um grupo de teatro que ensaia para se apresentar no casamento de Teseu.
O ápice da história acontece quando Oberon que que Titânia lhe entregue um menino por quem ela é responsável e ela se nega, diante disso, ele pede que Puck encontre uma planta que tem uma propriedade especial: contém um líquido que quando pingado nos olhos de uma pessoa adormecida, faz com ela se apaixone pelo primeiro ser vivo com que se deparar quando acordar, ele quer pingar nos olhos da esposa, para fazer com que ela, cega de paixão, entregue o menino. Acontece que Oberon encontra no bosque Helena perseguindo – e sendo rejeitada por – Demétrio, então ele pede que Puck pingue algumas gotas nos olhos de Demétrio. Mas o que acontece é que Lisando e Hérmia também estão no bosque pois pretendem fugir para casar. Puck faz a maior confusão e faz com que tanto Lisandro quanto Demétrio se apaixonem por Helena; esta acredita que todos estão zombando dela, enquanto Hérmia sofre ao ver Lisandro se declarar para Helena. Titânia acaba se apaixonando por um dos atores que aparece com uma cabeça de burro.
Claro que toda a confusão acaba se resolvendo, Titânia e Oberon acabam se entendendo, os outros casais também ficam bem, tudo termina em casamento e a peça de teatro que estava sendo preparada é encenada.
O que eu acho interessante na leitura desse tipo de texto é pensar na importância da estrutura e como esse tipo de técnica continua sendo aproveitada até hoje. Não dá pra desprezar a importância de Shakespeare, por isso eu acho que vale muito a pena conhecer, em todo caso, continuo gostando mais de Hamlet <3, seria eu mais de drama do que de comédia? Hm.
Pra não dizer que não falei da Torre…
Decidi lutar bravamente contra meu poder de concisão e falar mais detalhadamente dos lugares que tenho conhecido e as experiências que tenho vivido. Já aviso: é um desafio porque eu tenho muita tendência a resumir tudo em duas linhas, mas vamos lá.
Começando pelo óbvio, a Torre Eiffel, o símbolo máximo de Paris, que hoje é um dos monumentos mais visitados e apreciados do mundo, mas que nem sempre foi tão amado e aclamado. Na realidade, os franceses achavam a torre muito feia; Guy de Maupassant dizia que precisava subir na Torre porque era o único jeito de não vê-la, olha só!
A Torre foi projetada por Gustave Eiffel e inaugurada em 1889 para o centenário da Revolução Francesa. A ideia original era de que ela fosse desmontada após o evento, mas ela acabou sendo mantida e atualmente comporta no topo uma antena de de transmissão de rádio. Com 324 metros de altura, é possível ter uma visão incrível de Paris de seu topo, onde o acesso é feito unicamente por elevador; os dois andares inferiores podem ser alcançados – pelos corajosos – por uma escada de centenas de degraus. Esses dois andares comportam lojas e mesmo um restaurante, très chic. Durante a noite, a Torre fica toda iluminada e de hora em hora luzes ficam piscando durante cinco minutos.
Eu devo ter umas 98876 fotos da Torre, sempre que passo não resisto e tiro mais! É inegavelmente um lugar muito bonito e o que eu mais gosto é que às vezes estou andando pelas ruas e ela meio que “aparece do nada”.
É inegável que a Torre é a primeira coisa que se pensa quando o assunto é Paris. Na minha opinião, é um monumento incrível, daqueles que não decepcionam em nada, não acho que seja possível olhar a Torre Eiffel e pensar “ah, então é só isso?”. Ela continua servindo de inspiração para fotógrafos, cineastas, escritores… e se Paris mantém seu status de lugar super romântico ela é uma das grandes responsáveis (vide o número de pessoas que vão até lá para tirar fotos de casamento, é incrível).
(Robert Delaunay – Museu de Arte Moderna de Paris)
Com certeza era uma das coisas que eu mais queria ver quando cheguei aqui e foi uma experiência maravilhosa. Em um dos meus primeiros dias, cheguei a ir sozinha e sentar perto dela só pra ficar pensando na vida, no universo e tudo o mais. Eu pensei em todas as pessoas que amo e toda a força que recebi ao longo desses anos, pensei no quanto queria poder dividir um pouco com cada uma delas e o quanto eu queria poder falar com a minha mãe, o quanto ela ficaria feliz comigo e por mim. Enfim, parei para refletir sobre tudo o que eu vivi até aquele momento e como foi bom poder estar ali. A Torre se tornou um símbolo pessoal na minha vida, um ícone de objetivo realizado, de conquista, de possibilidade. E eu não sabia que era só o começo.
Eu fico por aqui, esse blog tá ficando muito sentimento-confessional, eu sei =*
Até mais.
Saramagueando - A viagem do elefante
“O elefante chama-se salomão, respondeu o cornaca, Não me parece próprio dar a um animal o nome de uma pessoa, os animais não são pessoas e as pessoas tão-pouco são animais, Não tenho tanto a certeza disso, respondeu o cornaca, que começava a embirrar com a parlenga, É a diferença entre quem fez estudos e quem não os tem, rematou, com censurável sobranceria, o cura.”
Já fazia um certo tempo que eu não saramagueava por aqui; senti saudades! O livro da vez entrou na categoria “animais protagonistas” do Desafio Literário.
Trata-se da história da viagem empreendida pelo elefante indiano Salomão – que é oferecido por Dom João III ao arquiduque Maximiliano de Áustria –, de Lisboa a Viena. O elefante, principalmente por sua imponência, é usado a princípio como símbolo de poder e ostentação pelo rei português diante de seus súditos, porém, não nos enganemos, a generosidade do presente é na realidade disfarce para sua tentativa de se livrar, depois de passada a euforia de sua presença, de um inconveniente de toneladas.
O livro traz reflexões sobre os animais, sobre a hipocrisia humana, críticas a religião e tudo o mais que estamos acostumados a encontrar na obra do Saramago. Sobre o tema religião, destaco duas passagens interessantes, um coice do elefante diante do cura que asperge sobre ele não água benta mas água de poço e o pedido de um cura para que Salomão protagonizasse um milagre para fortalecer a religião católica e tentar conter o “estrago” feito por Lutero.
“A partir de hoje, quando se falar de elefantes na sua presença, e hão-de ser muitas as vezes,
haja vista o que aconteceu aqui, em manhã brumosa, perante tantas testemunhas presenciais, sempre dirá que esses animais, aparentemente brutos, são tão inteligentes que, além de terem umas luzes de latim, até são capazes de distinguir a água benta daquela que o
não é.”
“Quer-me parecer, disse o cornaca, que pela vossa igreja católica anda muito cinismo, Talvez, mas, se te falo com tanta franqueza, respondeu o sacerdote, é para que percebas que necessitamos mesmo esse milagre, esse ou qualquer outro, Porquê, Porque lutero, apesar de morto, anda a causar grande prejuízo à nossa santa religião, tudo quanto possa ajudar-nos a reduzir os efeitos da predicação protestante será bem-vindo.”
Outros trechos que gostei:
“Fiz o que pude, meu senhor, para isso sou o cornaca, Se toda a gente fizesse o que pode, o mundo estaria com certeza melhor.”
“Se bem percebo, os três fazem parte de uma trindade, são uma trindade, como no cristianismo, No cristianismo são quatro, meu comandante, com perdão do atrevimento, Quatro, exclamou o comandante, estupefacto, quem é esse quarto, A virgem, meu senhor, A virgem está fora disto, o que temos é o pai, o filho e o espírito santo, E a virgem.”
É um bom livro, mas não me deixou extasiada como Saramago costuma fazer. Claro que um livro do Saramago é sempre uma boa pedida, mas, no quesito “pretendo reler” citaria antes Levantado do chão, A caverna e O evangelho segundo Jesus Cristo.
Quem
- Cartaz Amarelo
- Camila, mas pode chamar de Cah. Sou estudante de Letras, apaixonada por Livros, Música, Cinema etc. Aqui partilho um pouco sobre minha vida e sobre mim.


